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Consciência negra: lutar contra o racismo e por uma sociedade igualitária ao mesmo tempo

Neste 20 de novembro de 2017, faz 14 anos que foi instituído o Dia Nacional da Consciência. A data foi escolhida para homenagear Zumbi, morto em 20 de novembro de 1695, pela coroa portuguesa. Ele foi o último líder do mais longo quilombo da história do Brasil, na Serra da Barriga, na região onde hoje é o Estado de Alagoas.

“Zumbi e sua companheira Dandara são heróis do povo brasileiro, mas a história 'oficial' visava escondê-los com intuito de invisibilizar a herança cultural, social, política e de formação da nação e do povo brasileiro dos povos que foram arrancados da África para serem mão de obra escrava no Brasil", explica a secretária nacional de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Mônica Custódio.

Para ela, “as negras e os negros brasileiros vêm combatendo a desigualdade e o preconceito desde que os seres humanos escravizados foram trazidos à força para o país”. Mas, mesmo com os avanços dos últimos 14 anos, ainda há muito por fazer e conquistar.

O Brasil possui uma das maiores populações negras do mundo. De acordo com o IBGE, somos mais da metade da população. "Mesmo assim, a população negra é invisível para a nossa sociedade e com o governo golpista de Michel Temer a situação está retrocedendo há décadas passadas”, diz a secretária nacional da Mulher Trabalhadora da CTB, Celina Arêas.

Desigualdade

Como mostra o levantamento da Oxfam Brasil denominado “A distância que nos une”, as negras e os negros recebem 50% menos que as brancas e os brancos. "Ainda somos quem perde o emprego primeiro e temos mais dificuldade de recolocação", obserca Mônica Custódio.

O relatório da Oxfam aponta ainda que no ritmo atual a população negra somente conseguirá equivalência salarial com a população branca em 2089. "A gente fez um cálculo da média da equiparação salarial entre negros e brancos de 1995 a 2015 e projetou o resultado para saber em quanto tempo, seguindo o ritmo desses 20 anos, se chegaria à igualdade de salários", explica o cientista político e coordenador de campanhas da ONG, Rafael Georges.

"Celebramos o Dia Nacional da Consciência Negra num momento em que o país atravessa uma de suas maiores crises. Onde o racismo estrutural se reapresenta com formato moderno de flexibilização das leis trabalhistas, tornando-nos praticamente escravos da ganância do capital sobre o trabalho, que visa lucro acima de tudo”, complementa Evandro Vieira, do Coletivo da Igualdade Racial da CTB.

Segundo Mônica Custódio, manifestações de negras e negros acontecerão em todo o país para denunciar a opressão. Neste Dia Nacional da Consciência Negra “estaremos refletindo sobre a sociedade que almejamos. Uma sociedade sem discriminações, igualitária, onde qualquer pessoa possa ser o que quiser ser, possa sonhar e realizar seu sonho. Onde não haja miséria, nem intolerância de espécie alguma, onde a juventude tenha seu espaço e onde possamos viver e amar sem medo”.

Fonte: com informações do Portal CTB.